Achei ter visto teu coração. Mas olha, não tenho certeza! Era um coração que tava bêbado por aí, na rua, e veio me falar um monte de merda, que eu até quis acreditar, mas não tinha certeza se ele falava sério. Sei como é.. Tô acostumada com papo de bêbado, sabe.
Ei, mas será que era ele? Pois sempre que te encontro, ele parece um coração daqueles bem sérios, sabe? Bem na dele, bem auto-suficiente (embora eu saiba que é tudo fachada). Acho até que teu coração, um dia, deixou escapar um sorrisinho pro meu, broto. E acho q foi o suficiente pro meu coração poder reconhecê-lo em qualquer outro lugar! Mas aí é que tá.. eu não tenho certeza se foi teu coração que encontrei, pois saí hoje sem o meu. Ele tava cansado, tadinho, sem inspiração, então o deixei em casa. Mas ei! Me diz como ele é, o teu coração, que daí te falo se era ele mesmo. Ele é um coração meio puro até, com leves arranhões e um espaço vazio dentro?
Se esse era ele.. o que vamos fazer à respeito? Fingir que nada aconteceu? Não sei, talvez seja melhor mesmo, evitar qualquer constrangimento. E com isso, eu quero dizer: evitar qualquer sofrimento. Dramático, não? Retrair o desejo dos corações para evitar sofrer, e assim, de forma cinematográfica, perder junto as possibilidades de felicidade que o encontro dos corações nos traria.
Mas ok, ok. Podemos fazer isso. Podemos fazer este jogo de ignorar que tu parece ter tanto prazer, ou pelo menos, prática em jogar. E eu posso até esquecer as loucuras bêbadas q teu coração me disse, cara, mas e o meu coração? Pode ele esquecer todas as loucuras sóbreas que tu já me falou?
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