segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

dos momentos breves

como entrar na piscina quando tá frio, dói. mas esquenta depois, é bom. tem que se sacudir, é tudo tão rápido. a gente lembra de alguém, sente um cheiro, fala sem pensar. são sentimentos malucos que chegam bem de repente. tudo paralisa por um segundo quando a gente lembra de prestar atenção. e depois tudo desaba. desaba sem se saber como desabar, rápido e lento ao mesmo tempo. é como um castelinho de cartas, que cái logo com o vento. ou como o vento devagarinho derrete uma escultura de gelo. é o que é quem decide como cair, não o que derruba. e é o que se é quem decide como andar pelo caminho. o caminho é o mesmo pra qualquer coisa que passar por ele.

e ás vezes a gente lembra de prestar atenção e tudo faz sentido, mas faz sentido só por um momento.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

desistente da resistência

eu me colei no teto. fui como um grilo, saltanto até o forro e ficando ali. te observei dormir. os agitos às vezes leves, às vezes bruscos, do teu sono. os movimentos do teu corpo. os signos das tuas posições, que me falavam em diferentes idiomas. aquela sensação toda de tranquilidade incontável, na penumbra do quarto. a respiração que contava teu dia, o cansaço que tornava melhor a companhia. o incrível transposto em simplicidades como as dobras do meu lençol azul em ti. é como se essas chuvas de fim de verão contassem o que procede a noite, o outono que vai me trazer aqueles cheiros todos de novo. e sem medo das músicas populares brasileiras, eu deixo a chuva molhar. e então lembro dos dias que ainda vamos acordar, como se fosse ontem.