sábado, 29 de setembro de 2007
prisioneira de mim
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
brinde entre amigos
"Eu faço um brinde à nós. Que vamos esta noite, ao dormir, pra um museu. Um museu sombrio aonde estão expostos como peças de antiguidade, todas as nossas oportunidades perdidas. Faço esse brinde à nós. Que possamos voltar à salvo desse passeio ou que, ao menos, possamos conviver com os arrependimentos."
abstrato escrito
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
fenda embriagada
domingo, 23 de setembro de 2007
aparte do real
terça-feira, 18 de setembro de 2007
interesse desviado
ainda assim, minha honestidade que vive em cúmulo me impede de qualquer disfarce: demonstro minhas tolices sem artifícios, acho mais bonito assim.
sábado, 15 de setembro de 2007
fugas infelizes, sem escapatória
interposto do platônico
penso em ti, não penso em mim..
penso em mim, não penso em ti..
vejo a inevitabilidade do platônico:
mesmo sem querer, só penso em nós dois.
te ver vindo
terça-feira, 11 de setembro de 2007
limpando arestas
Falei contigo. Não te disse, mas adiantei. Marquei uma possível troca, quero palavrear os acontecidos. Quero te falar, te contar. Te dizer como foi que aqui dentro de mim aconteceu. Te mostrar a verdade vista daqui, te mostrar. Quero te lembrar de que, ao me ajudar a errar, tu também errou. Vou falar. Mas quero mais que isso, quero analisar contigo. Quero ver o que foi errado, pois ainda julgo neutra a nossa situação. Já existe em tudo um equilíbrio, desde o nascimento próprio da coisa. E nisso também há um ponto de igualdade. Quero examinar contigo o que foi e, contigo, criticar o que está sendo. Quero caminhar contigo, nisso não mudei de idéia. Minhas vontades ainda são, meus sentimentos ainda vagam em mim esperando tua colheita deles. E eu só posso dizer mais a mim, quando ouvir de ti algum gesto que me mova pra alguma direção.
duas caras
sábado, 8 de setembro de 2007
Diário de uma paixão apressada.
Vejo em ti o que vai ser de mim um dia e é como se um espelho me mostrasse cada detalhe do meu corpo futuro através do teu. E cada expressão do teu rosto me vem sem querer como um espasmo e controla meu rosto e lembro de que é parte tua que já é minha. Um jeito teu que já copiei sem querer, que me mostra as linhas que nos prendem à todo resto desse universo que a gente criou sozinhos.
E é um espelho sim, mas feito de água. Quase me confundo, me pensando liquidificar por inteiro. E entre nós, um oceano. Mas um oceano é pouco pra quem se arrisca à mergulhar. Ao amar, somos peixes desbravadores, largamos a segurança dos cardumes e nos lançamos um de encontro ao outro.
Me ocorre aqui então um fato: minha dúvida. Ainda não te vi peixe, mas sou sim um peixe. Nado em ti como em águas tranqüilas e, longe de ti, existem águas furiosas que me levam sem que eu possa reagir. É a tua presença em meus pensamentos de peixe amante. Quero te ver peixe, quero te ver nadar
Agora, ao que tu me vê, me transformei. Agora é paixão, vou te cantar pra encantar teu coração. E ao som da tua resposta, ao gesto da tua resposta, serei nova. Agora sim, mulher novamente. Assisto por alguns momentos diários meu reflexo no espelho, só pra poder te ver. Somos assim quando distantes um do outro, somos eu. Porque não posso te ver, e, dentro dessa cabeça, dessa minha cúpula cerebral, teu rosto se muda, transformando-se em mil outros rostos que se misturam em uma multidão dentro de mim. Às vezes te perco por alguns momentos, mas então vejo meu reflexo no espelho e te encontro. Te vejo em mim tão sereno que, ao ir dormir, estou serena também. Fecho os olhos pensando estar encostada em ti, e sonho contigo sim. Nos meus sonhos nosso amor é um pássaro que quer crescer pra voar. Ele tem todas as cores, e nosso riso o alimenta. Nos meus sonhos, tu é urso. Macio e quente, onde encaixo meus braços e durmo tranqüila. Não preciso dormir pra sonhar, nem de drogas pra ter visões individuais.
Quero te dizer isso, quero que tu saiba disso. Mas ainda não descobri um jeito de mostrar isso à ninguém. Mostrar a maneira como o calendário se forma visualmente no meu cérebro, a forma como vejo a tabuada. A forma como, ao dormir contigo, respiro perto do teu rosto e sinto o calor me derretendo, e como é tão real como qualquer outra coisa que se possa ver. Eu vejo tudo de olhos fechados. E é isso que quero dizer, quero dizer que a gente conta o tempo mas o tempo não conta. O tempo inventa, disfarça e nos engana. Essa ilusão de tempo nos impede de viver o que já pode ser vivido. Nós não precisamos de mais tempo. Nós não precisamos de mais espera se, até ao dormir estamos juntos, já tivemos vida suficiente pra eu poder te querer tanto assim. Eu quero tanto te dizer isso tudo. Eu quero tanto te ver peixe! Pra gente mudar juntos, ser todo tipo de bicho e objeto. Pra ti poder me dar a mão enquanto eu olho pela janela do carro. Pra gente poder correr da chuva algum dia. Pra gente poder correr pra chuva algum dia. Pra gente correr, correr, correr por tudo, por todos os cantos desse mundo que eu vivo, que me impede de qualquer outra viagem, pois é tão imenso, cheio de coisas pra encontrar. Tão colorido e tão preto e branco. Tão miniatura, cheio de detalhes pra descobrir. Pra gente correr por todo meu mundo, pra gente misturar nossos mundos, deixar esse daqui pra trás. Pra gente viver tudo, correr, correr. Depois, pra gente encontrar o lugar mais nosso pra descansar. E dormir, dormir como se o mundo não existisse mais. Pra sermos um o mundo do outro, e nunca mais termos que nos lembrar. Pra só viver. Pra só estar. Pra fazer durar o instante mais momentâneo que se possa encontrar. Quebrar o relógio, ignorar de vez o tempo. Pra criar um presente infinito-inacabável. Quero tanto isso, que choro. Choro por dentro e por fora. Me choro e te choro, choro nós dois. Choro o que poderia ter sido, mas mais que isso: choro o que ainda não foi. É a maldita dúvida que me dá a dor pra me sentir viva, me dá a ansiedade por tua pele, mas que me angustia. Me encolhe feito criança sozinha e me faz chorar.
Já derramei minha água, muita água minha, através de várias gotas. Cada dia uma gota de cada olho e, sinto aos poucos, meu corpo endurecendo. Virando matéria mais grossa pra, como eu disse, ser mulher. E vou perdendo a moleza de ser líquida, meu corpo vai ficando cada vez mais sólido. E agora chega, pois senão não sou mais mulher. Serei rocha fria, inigualável dor de amor sofrido. Não quero ser rocha, não quero ser. Lembro que já quis, quis ser forte, mas a força de uma rocha, de uma parede, é fraca se comparada a força de um inseto, que mesmo com suas asinhas levezinhas e miúdas, é capaz de tanto se considerarmos seu tamanho e habilidade sutil.
Não serei parede, nem rocha. Quero que tu possa ver através de mim, quero mostrar um pouco de mim até que, quando souberes o suficiente, tudo suma. Vou ser transparente, como vidro. Mas não serei vidro, quero ser mais leve que vidro. Precisamos ambos da minha leveza. Serei então transparente feito ar. E agora preciso do teu calor. Me dá teu calor, me esquenta! Quero evaporar a água de cada célula viva do meu corpo, quero evaporar. Quero virar nuvem, voar, quero te levar! E de lá, vamos ver o mundo não se despedir e vamos então ter certeza de pra onde ir.
Nós já vivemos o princípio, agora vem o próximo degrau dessa escada horizontal: o durante. O intermediário. O causador da insegurança, a dúvida. Mesmo tendo eu criado acordes, mesmo tendo eu jogado ao nosso oceano meus poemas pra ti, mesmo assim, não te vi me mostrar mais do que só desejo pelos meus lençóis azuis, pela minha lagoa, pela certeza de que estou aqui quando quiseres vir. É insegurança que dói, mas que aviva minha pele e sinto de leve o frescor do vento que às vezes dá as caras. Frescor que alivia a minha febre e me dá algum descanso do pensar em ti.
Agora sim, morri. Nasce comigo, vamos fazer um filho: um pecado. O pecado da vaidade ou uma coisa qualquer. Eu prefiro a vaidade de uma coisa qualquer.
