sábado, 29 de dezembro de 2007

dispensa. (de mim à minha insegurança)

engolida. o tempo todo eu sabia, eu previa acontecer. me deixei engolir por meus próprios meios de escape. me encurralei entre os medos e anseios, fazendo deles minha proteção e minha prisão. o que foi chorado é desconhecido de realidade, pois meu subterfúgio foi me apunhalar. são aqueles dias cinzas que a gente busca em busca de dias melhores: ora um dia cinza, ora um dia cinza claro. e há também aqueles dias azuis, mas esses só são mesmo azuis quando se tem um par de olhos amigos como companhia para admirar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

parafuso da engenhoca

Eu não entendo pq às vezes a gente precisa de uma boca desconhecida, de uma voz nova, de uma mão diferente. Mas não é pra nada disso que vocês estão pensando, não.. É em relação as coisas da vida. O que quero dizer (de uma forma nada prática) é que eu gostaria de entender pq a necessidade de um corpo estranho se aproximar com palavras pra que a gente entenda o que a gente já sabe. É como chutar aquelas máquinas de regrigerantes pra fazer a fichinha finalmente cair. Por quê será que é preciso estar deprimido e em crise, sentar na escadaria duma praça, acender um cigarro depois de ter prometido a si mesmo que ia parar com essas coisas, pra que venha alguém totalmete desconhecido e totalmente de surpresa, pra nos dizer uma coisa totalmente fora de contexto, e fazer aquela velha ficha cair? Eu fiz trajetos diferentes essa semana, dobrei em ruas diferentes e encontrei o mesmo destino. Nada mudou! Só o meio do caminho. Começo a perceber que vale a pena, pois me surpreendi até ao descobrir que caminhei menos pra chegar nos mesmos lugares.

eu em três

meu coração resitiu ao tempo pq viveu pouco, ainda é jovem. espera tanto amor dos outros quanto ele mesmo dá. mas virá um dia triste em que ele vai aprender que o amor que ele dá é muito pra esperar. minha mente é velha. velha, velha, já idosa. viveu milênios em pensamentos e agora pede ao corpo descanso. esse corpo semi-novo, com tão pouco uso, fica perdido por ser tão pouco, só um corpo, e não sabe o que fazer: um é o coração, que lhe pede pra ir à vida viver; outro é a mente, que o desgasta, o enrruga, o enche de tempo mal gasto. e por isso, talvez, eu seja mais este corpo do que mente e coração. ele sente mais, e dele se pede mais. ele comporta os outros mesmo quando não se comportam.

sou

sou a confusão em mim, sou a disfunção em mim. sou em mim os pedaçinhos, desde os inhos até os ãos. sou navegação, mesmo que sem barco. sou guia, mas sou guia sem coleira. sou o que nunca descobri, e o inverno traz o vento cantante só pra me dizer: que sou o que sou e mesmo assim, nada resta em mim que não seja ilusão.

céu nublado de chaplin

descobri que a minha vida é um filme tragicômico moderno, era pós-chaplin. descobri que não faço nada, que nada posso fazer. que só sou levada por essa maré desenfreada. as praias andaram distantes, e os olhos daqui (esses que desconhecem a própria melancolia de serem) mal enxergam as nuvens, pois há pescoços cansados de esforços corrompidos por qualquer desejo. e só algumas dessas pombas da cidade ainda lembram de como o céu é quando se pode ver o horizonte até onde ele se esconde.

abrandada pela designação

Eis que chega a quietude! Ainda resta a ansiedade pelo bater das asas, pois de pássaro novo tudo se pode esperar. Semelhanças agora são estrelas, a calçada que se anda é uma verdadeira constelação. Os espaços quentes de descanço, quando chega a hora, é um ninho de pêlos. É lá que a ameaça se mostra existente, embora seja também lá o lugar onde o céu pode ser de concreto e ainda assim, tão belo. Somos o toldo um do outro e os lazeres estão além de partes do corpo, estão em um tempo-espaço chamado "ser". Me resta redescobrir meus próprios meios de me alcançar, mas por agora entrego a quem por perto quiser, todos os caminhos de me encontrar. E ainda te tenho, meu alvo em ressalva.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

às vezes eu não quero ser quem eu sou, mesmo não me conhecendo, gostaria de poder ser algo que eu sinto distante. mesmo que fosse só pra conhecer o que está distante, mesmo que fosse só pra poder me descobrir através do que eu não sou. entenda, não é que eu seja uma má pessoa. é só que eu pouco sei desse mundo em que vivo e, desse pouco, pouco me agrada.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A poesia é minha revolução.

Não me perguntem pq não me envolvo em política, pq não levanto bandeira, pq não visto uma dessas diversas camisetas. A verdade é transparente, por isso alguns não a enxergam. A literatura é que me move, o romance é o meu motivo. A poesia é a minha anarquia íntima em relação às coisas do mundo, e em relação à todos os argumentos dos mais letrados defensores de causa. Eu vejo tudo acontecendo tão rápido e sou testemunha das passeatas que, apesar de serem em vão, são lindas amostras do que se é capaz juntos, quando se quer. Bom, eu.. Eu só defendo a liberdade de amar. Mas defendo-a todos os dias, defendo-a para todos, e defendo-a com todas as partes que conheço de mim.

lados infinitos

eu não sei do amor, mas sei que deveriam haver mais palavras para os sentimentos. não é possível que o que eu sinta por mim seja o mesmo que sinto por outros e ainda o mesmo que sinto pelo feijão temperado da minha mãe. a gente quer tanto acreditar em alguma coisa, que então inventamos algo e nos esforçamos pra tornar isso real. mas é tudo infinitamente relativo, tudo infinitamente falso e verdadeiro, tudo infinitamente infinito. não há como saber nada! eu só sei o que posso ver agora, agora é hora de mudanças. já vi explosões demais, já vi muitas marés baixas..

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

ansie[sau]dade

o acanhamento das nossas horas
às vezes me trás alguma insegurança;
me sinto um caçador desarranjado,
mirando um alvo sem lança.