sábado, 19 de janeiro de 2008
o rabo mordido da cobra
sonhos. aqueles sonhos dormindo. me mergulham num porão de antigas 'eu mesma'. dentro da minha cabeça, há mil de mim. todas feitas de massa cinzenta, todas elas são chefe da tribo. todas elas são a cabeça da cobra. é um circular de gestões incessante. quem é que manda agora, quem é que manda depois? e quem é que senta no banco e espera sua vez? eis a poeira do porão, é o que as assusta mais. têm medo do seu espaço no porão do esquecimento. por isso todas elas me sussurram ordens, algumas gritam. e como todas elas querem me ser, nunca sei a quem obedecer. dou voltas e voltas e voltas aqui dentro e acabo por não saber. então sempre desço as escadas até o porão e me espero terminar de falar. mas no coração tem mais uma, o rabo, que já cansou de escutar. (alguma de mim torce para que essa se levante e suba as escadas)
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
trépido sossego
me encontro às vezes, sem ter marcado hora. me descubro comigo mesma, sem ter planejado chegar até mim. curativos já são pouco necessários, quase não há dor. tudo o que houve foi perdoado. isentei-me de todas as culpas. o vento chega quando a pele se contrái de sol. e se há muito frio para mover-me, um misterioso calor interno me alivia. só me amedrontam aqueles dias, os dois ou três últimos dias. mas isto pq me acorrentei à esses modos de enxergar, que não são meus. mas tudo isso se ameniza à medida que o vento canta. e eu vou vivendo esses meus encontros tão quietos e repentinos, que vou ficando em sossego. e se penso em mais alguém é pq não sei o que pensar, pois se há alguma dúvida é sobre se o amor é morrer ou matar.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
a infinitude do segundo.
um segundo, talvez dois. é o que basta, é o pouco necessário. o segundo é grande, é infinito, é tempo que passa rápido porque que a gente apressado, não deixa ele parecer congelado. são poucos segundos que se precisa, aqueles segundos decisivos de fim de jogo. é quando se tropeça e tudo diminui de velocidade, a gente vive uma vida entre o tropeço e a queda. a gente raciocina e depois perde a razão, a gente se desespera, depois relaxa. a gente faz de tudo. fazemos de tudo em um ou dois segundos. esse tempo que parece curto, que parece pouco, é tudo o que define uma vida. é a escolha de dobrar a esquina, de lembrar de desligar a luz, de se apaixonar. aquele maldito segundo que não tem volta, aquele segundo definitivo. é o que transforma a gente no que quisermos, e é o que já nos fez ganhar e perder tantas vezes antes. é aquele pedaçinho de vida ignorado por nós, aquele pedaçinho de tempo é o deus que nos abre as possibilidades. basta apenas um segundo ou dois pra dar um sorriso, pra encontrar uma boa resposta, pra cruzar um olhar ou decidir cruzar a rua. um segundo ou dois bastam pra construir ou destruir uma amizade; pra ganhar tudo, ou pôr tudo a perder.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
insuportável(mente) versada
os versos voltaram
me voltaram com pouca vontade, é verdade.
mas funciona como um pequeno chute no traseiro
nada que doa muito, nada que faça muito mal.
os antigos versos deixaram
aquele rastro de alguma coisa
uma poesia empoeirada
que aduba as novas palavras.
agora sou de novo, nova.
há versos de mim por toda a sala.
me voltaram com pouca vontade, é verdade.
mas funciona como um pequeno chute no traseiro
nada que doa muito, nada que faça muito mal.
os antigos versos deixaram
aquele rastro de alguma coisa
uma poesia empoeirada
que aduba as novas palavras.
agora sou de novo, nova.
há versos de mim por toda a sala.
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