quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

improviso

Sinto que sempre tive impulsos de controlar as situações. Tentando sempre dominar os contextos em que me encontro. Tenho visto que, o mundo realmente dá voltas, que as coisas realmente não duram, e que as pessoas são sempre imprevisíveis. Aparentemente, vivemos do improviso. Mas me sinto desafiada pelos acontecimentos, quase como se estivesse sendo testada por eles para que vejam quais serão minhas reações. Ando tentando ter as melhores possíveis, e recentemente senti como se tivesse vencido as olimpíadas. Percebi como posso reagir de maneira inesperada à coisas novas. E por mais negativista que seja o pensamento, entendi que quanto menores nossas expectativas, menores nossas frustrações. Postura dificil de adotar para quem, como eu, vive de sonhos grandes..

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

degustando as idéias

enquanto tu almoça, eu penso.
ontem foi o mesmo: enquanto almoçavam, eu pensava.
já é tarde pra almoçar.
almoço.
almoço me lembra "quase".
quase de tarde, quase de noite, quase jantar.
escrevo. e depois leio e releio.
já não escondo mais as idéias.
e ontem foi o mesmo: enquanto almoçavam, eu fotografava.
um céu azul em contraste com o morro verde.
sítios são sempre bem vindos.
e almoços.
jantares.

com muita ou pouca companhia, almoçando ou não.
as idéias alimentam.
mas não dispensaremos o almoço.

domingo, 26 de dezembro de 2010

não vou dizer o que é

lembrei de ti hoje. (e ontem também). sabe o quê? andei pensando em ti mais vezes que tenho deixado parecer. é que as pessoas andam com uma chata mania de me dizer o que sentir. alguns contextos têm sido inéditos pra mim, e eu acho que eu sei o que é. mas algumas pessoas andam com essa mania chata de me dizer que o que eu digo sentir não é o que realmente sinto. então, vou só ficar aqui. pensar assim. sentir o que não é. e não dizer o que se passa.

atravessando a rua

essa nostalgia estática me apavora. é uma música, uma lembrança, um tédio que remete tantas carências. coisas que ficaram em haver, que possivelmente terão que ficar pra trás. agora já não tenho mais certeza das respostas que dei, mas ainda acho que as escolhas foram certas. isto se tornou uma obrigação de conhecer a mim mesma na mais dificil das situações: a situação simples. sim, por ser tudo simples é que é dificil. não há desculpas depois, pro porre de vinho, pras coisas ditas em hora errada, pras atitudes idiotas noite afora. não tem justificativa pra choradeira ou gritaria, pra insanidades alcooólicas ou bobajadas infantis. é tão simples, que é dificil. tem que ser encarado assim, como quem atravessa a rua.

emoldura-se desejos

entrei na moldura da tua foto. aquela foto, que estava na mesinha da sala. lembro que quando estive lá, não a vi com atenção, mas agora só consigo pensar naquela foto. eu não existia naquela foto, e pra existir nela agora é preciso desistir da sala que através da foto se vê. entre a sala com portas e janelas escolhi a moldura fechada da tua foto. estou esperando que chegues em casa pra ver, e fico na expectativa de que escolhas também a moldura da foto pra ver comigo a sala que deixaremos pra trás.
enquanto isso, fico aqui, com tua imagem do passado, me fazendo sala.

convite ao silêncio

os dias de sol, que fizeram muito bem, que aqueceram os corpos para as noites frias, somam-se aos canecos de chopp gelado que resfriaram o calor das noites insuportavelmente quentes, e avisam que depois de uma ou duas últimas noites, a farra termina e os dias de quietude são precisos. pequenas dores boas de sentir fazem parte da gritaria que precede este silêncio.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sorriso

Disfarço o sorriso quando te vejo. Não sei o que é.
Disfarço o riso quando tu ri, não sei o motivo.
Disfarço o susto quando te vejo, e não é fácil.
Disfarço os disfarces que tenho pra cada coisa tua.
Pra quando me toca, pra quando me olha, pra quando vai embora.
Disfarço minha alegria, disfarço minha suspeita, disfarço minha saudade.
Disfarço o que sinto, disfarço sempre que não vi teu disfarce.
Disfarço o sorriso quando tenho sorriso, e disfarço a vontade de ter teu sorriso.

Disfarço que disfarço pra que não tenha que disfarçar que não sinto.
Até quando sorrio é um disfarce, pra disfarçar que disfarço.

Espere só um pouco

Estou criando antes de acontecer, eu sei. Espere um pouco. Posso estar demorando, adiando, eu sei, querido, mas não é prepotência minha. Apesar de saber que posso tanto, estou sendo modesta em minha criação. Só quero que tudo saia bem. Que as paredes do quarto não precisem guardar segredos sujos, e que depois as calçadas das ruas não me tenham que segurar aos prantos como já fizeram. Penso não só em mim quando espero criar antes de acontecer. Estou antecipando os movimentos apenas para fazer melhor o que foi feito antes. Para fazer direito. Independente do que venha a ser (pois este, o futuro, é o menor dos detalhes), estou esperando para me colocar na tua frente no melhor momento, no momento certo, no momento ideal, onde as expectativas que foram de outros não venham a ser nossas. Onde só exista os olhos de agora, e onde a tranquilidade de apenas viver viva em nós por bastante tempo. Tomaremos assim, passos sem arrependimentos. Poderemos escolher as cores certas, as palavras certas, os movimentos certos, independente do que seja, e que seja por um segundo se assim tiver que ser, mas que seja o melhor que possa ser. Pra que comece de maneira correta, e que termine com elegância.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Novo antigo

Tudo novo, de novo. Em meio a tanta coisa diferente, volta a memória de que já se passou por aqui, por estas ruas, alguma vez ou outra. É possível sentir a tranquilidade mesmo neste turbilhão de novidades, pois a sensação do conhecido aquieta a ansiedade. Parece mesmo que quando tentamos deixar de ser, é aí que realmente somos. A infância há em todos, e não há escapatória das lembranças; e ao menos os sonhos podem ser mantidos latentes enquanto fingimos que há coisas mais importantes nesta vida de adulto pra fazer.