terça-feira, 11 de setembro de 2007

duas caras

Vazio. Um quarto vazio dentro de mim, um quadrado em branco. Ausência de sentimento, sensação de mim ausente em mim. Sem controle das minhas mãos, que seguram um objeto qualquer. E em alguns movimentos desclassificados de meus braços, me lanço no espaço do quarto. Corro pra cada parede que vem em mim e marco, com o objeto qualquer, uma janela. Avisto enfim a rua, alguma atividade social. Folhas voam com vento, contentes de si, e pássaros vão pelas calçadas, caminhando entre as pessoas. Me vem um sentimento então, me sinto acoada. Observada por quatro janelas minhas. Não há como voltar atrás, o sol já entrou no quarto. Passado os momentos de arrependimento desesperado, me despeço relutante de qualquer sombra de minhas paredes.

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