sábado, 2 de fevereiro de 2008
desistente da resistência
eu me colei no teto. fui como um grilo, saltanto até o forro e ficando ali. te observei dormir. os agitos às vezes leves, às vezes bruscos, do teu sono. os movimentos do teu corpo. os signos das tuas posições, que me falavam em diferentes idiomas. aquela sensação toda de tranquilidade incontável, na penumbra do quarto. a respiração que contava teu dia, o cansaço que tornava melhor a companhia. o incrível transposto em simplicidades como as dobras do meu lençol azul em ti. é como se essas chuvas de fim de verão contassem o que procede a noite, o outono que vai me trazer aqueles cheiros todos de novo. e sem medo das músicas populares brasileiras, eu deixo a chuva molhar. e então lembro dos dias que ainda vamos acordar, como se fosse ontem.
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