terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Será?

Se eu voltar agora, será que consigo continuar a idéia? Ou ela fica inacabada, tadinha, excluída, num canto, sem chances? Se eu encarar este novo lugar como o único pra onde voltar, será que esqueço das memórias de quem ficou lá longe, das lembranças que cada árvore daquela rua me trás? Será que a saudade daquele meu antigo canto é necessidade ou apenas alguma vontade covarde de reencontrar familiaridades? O que fazem aquelas paredes, aquelas pessoas, aquelas calçadas tão marcantes? O contexto 'infância'? O agravante 'tempo'? Será a saudade algo espiritual, sobrenatural, poético e mágico ou apenas hábito interropido? Se eu voltar.. será que existe uma chance de descobrir? Parece que só ficando aqui e indo adiante é que será possível compreender o que acontece quando tudo muda por inteiro, quando tudo se renova, e o novo contexto transforma as memórias em substância insensível. Mas então, pode ser tarde. Tarde pra voltar atrás se era mesmo tudo real: a saudade, a necessidade, a chance da idéia prosseguir. E aí.. se for tarde, será que perco tudo de novo?

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