quarta-feira, 26 de março de 2008

mais uma vez, outono

o vento do ventilador tocou a pele mas não foi igual ao vento que fazia lá fora. pq de lá eu via o céu, e os pensamentos voando me faziam voar. a sensação de tocar as nuvens com os pés ainda no chão sempre me fez sorrir, e é aí que eu lembro da já nostálgica criança que eu fui, no parapeito da janela sentindo o outono chegar. me descobrindo desde então uma folha, aquela última a cair da árvore. ainda verde, fazendo piruetas até deitar na calçada e esperar o tempo. é quando tudo morre pra poder nascer. e de volta ao ventilador, retornando a olhar as horas, nada parece fazer muito sentido quando se cogita falar. tentar explicar qualquer uma dessas coisas é dispensável, e o meu silêncio toma conta das lembranças do futuro, lembranças que ainda são sonhos jovens. e logo tudo vai passar pois há coisas a fazer. esses pensamentos são só maluquices que uma voz desconhecida faz, tocando a gente por dentro, vindo de uma música com a batida exata.

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