quarta-feira, 13 de junho de 2007

conto de uma noite

Dentro dela surgiu do nada, entre as suturas da última guerra, uma clareza incrívelmente nova: a de não se desesperar. Não havia mais empolgação nem para desempolgar-se, cutucou com o dedo indicador o machucado que nem aberto, nem cicatrizado, só estava a pele vermelha e seca, mas por dentro ainda o sangue indicando que ali doía. Lembrou que, para sua surpresa, havia encontrado alguns outros fugitivos da vida, bebendo por aí em alguma noite fria, nessa cidade que parecia estar diminuido com os dias numa velocidade tão sufocante que a enclausurava. Mas isso deu um leve ânimo, apontou a direção de algo novo. Era finalmente um lindo verme a se alimentar de carne morta, a pequena possibilidade esperançosa de que algo novo estaria por vir.

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